*** Loucuras do Escorpião ***

Domingo, Dezembro 18, 2005

Amor-Perfeito

Sim, é verão
Mas com nimbo
Sim, é promessa
Mas no limbo
Sim, é filme
Sem rima nem métrica aqui pois é imperfeito

E passam as estações
E céu não importa mais

E só ficam uma pergunta e uma certeza
Não seria esta a perfeita beleza
Interrogação
É então essa a imperfeita leveza
Exclamação

Joguin

Eu perdi a cor
Eu perdi o coro
Eu perdi o decoro
Mas não pense que perdi
Eu ganhei seu sorriso

Sábado, Outubro 15, 2005

Tortinha de limão

- Fora Nogueira! Fora Nogueira!

Era a TV esgoelando. Em seguida a repórter noticiava:

- Manifestantes na praça da Sé pedem a renúncia do primeiro ministro Armando Nogueira. Entraram em confronto com a polícia. Sete foram feridos.

Policarpo assistia atentamente ao noticiário, afinal, fora ele quem planejara a manifestação. Não havia comparecido, pois certamente seria preso. Ou pior.

Desde jovem participara ativamente da política em seu país. Dono de uma sagacidade inexperiente, porém vigorosa, sempre tinha as respostas certas para as perguntas que surgiam. Quando da infestação da corrupção no legislativo do seu país, sugerira o Parlamentarismo em seu movimento político, sem que um presidente fosse obrigado a fazer qualquer lobby. Logo as mensagens subliminares, e por vezes, discursos diretos, pediam o Parlamentarismo na televisão. Não que a idéia fosse original, mas que policarpo sabia articular, sabia. Tinha um brilho nos olhos que contagiava...um brilho jovem e confiável, e era disto que precisava uma sociedade cansada de velhos repugnantes de terno. A classe artística e a intelectual estavam ao lado de seu movimento. E os militares não mais queriam o poder, mas apenas manter a segurança. E então, quando a esquerda radical queria aproveitar-se da transição para abocanhar o poder, Policarpo sugeriu que a cartilha de seu movimento ficasse mais vermelha, desarmando os argumentos de esquerda desta forma. Seu poder foi crescendo, mas ele não ficava fascinado com isto. Se permanecia imaculado por necessidade ou por caráter, ninguém poderia saber, embora todos acreditassem em sua santidade. Mas ele sabia a resposta, como sempre.

E novamente a situação tornara-se insustentável, e quando todos pediam investigação, ele sentia que somente a renúncia poderia resolver a situação. Ele podia sentir que seu Primeiro Ministro era culpado.

Mas algo estava errado aquela noite.

Pensou no que poderia ocorrer em seguida, e ligou isto a tudo que já acontecera em sua vida(que era confundida com a vida de seu país). Só podia imaginar marionetes, e percebeu que tudo sempre se repetia. Os ciclos eram mais fortes que a vontade de seu povo, e mais fortes que sua vontade também. E sentiu-se mal. E mau. Não era apenas um bonequinho, mas culpado pela hipocrisia que estava em seu sangue. Tudo que combatera em sua vida, acabara fazendo igual, e com mais competência. O peso disto era demasiadamente grande para ele.

- Aprenda a fazer torta de limão. Os ingredientes são...

A notícia sobre a manifestação fora passada em poucos segundos, e o povo já seguia seu rumo. Não os manifestantes, mas o fluxo do noticiário. Ficou um pouco revoltado com a pouca importância dada a algo tão fundamental como a política de seu país, e que esta notícia ia durar menos tempo que a receita de uma tortinha de limão. Lembrou-se que era sempre assim. Atribuíra, desde sempre, e dentro de seu fanatismo, isto à força de seu povo, inabalável, sempre sabendo “seguir em frente”. Não era inabalável e sim despreocupado. Pena ele ter percebido isto tão tarde.

Nisto, se lembrou da manifestação noticiada, e os rostos dos transeuntes, e de todos os rostos dos que estavam de fora nas manifestações que participara, e os rostos de todos aqueles que assistiam aos jornais nos bares e casas. Sentiu uma apatia, e pior, um desdém geral, por parte de todos estes rostos. Sempre atribuíra isto ao cansaço, ou timidez(as pessoas riem nervosamente em situações diferentes). Não era isto. E não interessa o que era, as pessoas não poderiam ser assim diante algo que determina metade do rumo de suas vidas. Pena ele ter percebido isto tão tarde.

E se lembrou que sempre era aclamado como herói, e meses depois caía no ostracismo, sem qualquer reconhecimento. Não buscava ser reconhecido, queria apenas ajudar, mas isto gerou um insight importante sobre o comportamento de seus irmãos. Eles possuíam uma memória tão fraca! E os benefícios no dia-a-dia obtidos com tão duras lutas não refrescavam tais memórias. Pena ele ter percebido isto tão tarde.

E percebeu um pouco tarde que batiam à porta. Abriu, era a polícia. Alguém havia dedurado sua localização.

Sua acidez perguntaria aos policiais se seus salários estavam maiores após as mudanças sócio-políticas geradas pelo movimento que ele comandava. Mas os olhos de Policarpo estavam muito vazios, e ele ficou mudo.

Ele se perguntava se tudo aquilo valera à pena.

Mas para esta pergunta ele não tinha resposta.

Sábado, Agosto 13, 2005

Oceano numa colher

Me faltam os artistas
Tudo já não me basta
Exijo respirar mais que isto
E nascer segundos novamente

É que sua melodia
Está no lado C da fita

A vida me é sem me estar

Sábado, Julho 30, 2005

Beijo

Con(c/s)erte-(s/m)e.

Triiimmm

Em cima do relógio, num passeio
Ver se havia caminho alternativo
Topei com um ponteiro vingativo
Vi que era cativo
Não sei se eu inteiro
Ou se era ele ao meio
E me veio...

Lembrança de quem me cativa
E que pensei a noite inteira
Que a tenho, ainda que meia
Em minha veia...
Ela inspira, beija e passeia
Não quero rota alternativa
Nem sorte em vida vingativa

* um corpo caindo só tem uma rota, retilínea
* ele VAI atingir o chão. Não precisa de sorte
* a não ser que as leis da Física mudem bem no curso. Daí vai ser foda

Sintética

Você é minha heroína

O tal do Tao

Sou um riacho
Aparentemente imóvel
Mas fluindo para o Oceano.
Afluentes são ilusões.

Nossa arvrinha

Cresce, cresce, cresce!
Vagarosamente
Sobe, firma e não desce!
Cuidadosamente

E no fim dará apenas romãs perfeitas
Ambrosia apenas para almas eleitas
União brilhante que não há receitas

Sábado, Julho 09, 2005

Te [Uno]-nos

Nos olhe-me;
Me conheçamo-te;
Te compreendo-nos;
Nos abraço-te;
Te amamos-me;
Me seja-nos!

Auto-biografia I - Disfarce

Por dentro sou tomado por...
uma concupiscência contraproducente,
uma indecência indiferente,
uma consistência condescendente
e uma entorpecência efervescente.

Por fora uma tatuagem...
escrito "é! num é? pois é!",
um semblante de menino inocente,
uma aura de bondade
mas uma inflamacência incandescente brilha em meus olhos se você reparar bem.

* todos os poemas revelam um pouco de mim. A série de auto-biografias apenas são "escancarados", nada mais
* talvez nem tenha um segundo nesta série; sou muito instável

Sexta-feira, Julho 08, 2005

A vingança de Afrodite

Vênus estava um pouco gigante e brilhosa
ao lado a pequena estrela outrora orgulhosa
muito central, muito colossal, muito nada.

Biologia I

Eu fico lindo, inteligente e divertido usando um Marea.

Sábado, Junho 25, 2005

Insanidade, síntese, maçã

Eu só queria um pouquinho de oito e meia da manhã,
Você de shortinho
E o sol, cheiro luzente junto ao seu pulso de maçã.
(...)
É pedir demais?

*vida sem fada madrinha para realizar desejos
*tanta complexidade resumida numa simplicidade

Pequeno Príncipe neo-neomodernista

- Nome completo, RG
CPF.
Tel residencial.
Tel Celular.
Endereço: Rua, Número, CEP, Bairro, Cidade, Estado, País.
Comprovante de residência.
Holerite.
Nome da mãe, do pai, do papagaio.
E o diabo a quatro.
- Moço!
- Quê? (sem olhar)
- Eu gosto da Lua em céu roxo!
- ...

* ...
* =(

Resumo do drama

Jingle bell, Jingle bell,
Fuck You Papai Noel.
Sem presente no Natal,
Fui um menino mau.

*muito mau

Metalinguisticamente roxo-cinza

Ao escrever prefiro as azuis
folhas, em tons escuros.
Mente ao Norte mas pulso nos Suis
e com tons epicuros.

Nesse eterno Oeste - nunca Leste -
os conceitos limitam.
Cinza Tao mas nessa infame veste
as pregas se vomitam.

Vejo ao meio-dia vejo a Lua
no Zênite e em Nadir.
E o céu roxo impõe escolha nua:
1)Suicidar 2)Suprimir

*voltando à ativa
*Tao: o que pode-se discorrer sobre o Tao não é o eterno Tao
*epicurismo: filosofia dos prazeres. Não se importe com mais nada, apenas a fruição dos prazeres
*Zênite: ponto exatamente acima, uma referência astronômica do ponto de vista da observação aqui da Terra. Nadir: ponto oposto ao Zênite.
*o "vejo ao meio-dia vejo" foi intencional a repetição do "vejo". Bem, isso era até desnecessário inoformar =D

Sábado, Maio 07, 2005

Gênios, genes e gemidos

Dependo dos gênios boçais.
Se matam mas se acham demais.
Eu e minhas idéias boçais.
Me matam pois me acho demais.

Vinte mil pessoas iguais.
Com Indiferenças normais.
E suas diferenças iguais.
Muitas reclamações normais.

Na bem da verdade não há boçais?
Eu apenas me preocupei demais?
De novo eu com idéias(?) desiguais!
Geradas por meus genes(?) anormais!

Sábado, Abril 30, 2005

Seguuura Peão!

Te dou comida gratuita e te esquento.
Mato a tua sede e do teu rebento.
E te dou dinheiro além do sustento.

Tu nunca destes nada para mim.
Nem mesmo retribuiu, mas enfim,
Não reclamo por isto mesmo assim.

Mesmo que eu quisesse não poderia.
Sou mudo e tu ainda achas valentia
Torturar mentindo que sou rebeldia.

Logo eu, sou tão ordeiro e cuidadoso
Com o lar que dividimos, que orgulhoso,
Dizes dominar, mas tu és o mais danoso.

*E ainda passam novela dessa merda.

Casaquinho violeta

Vai e volta e hipnotiza;
Do nada brota beleza.
Poder de sacerdotiza:
Remove antiga aspereza.

A velha então satiriza
Minha torpe e vil certeza.
Suave ela suaviza,
Mata minha realeza.

E sua agulha harmoniza.
Não faz mal chamar Tereza.
Terá terra sem baliza,
E o bruto será leveza.

Chave...seletora?

Põe no quente, morno ou verão,
Estes chuveiros são modernos.
Transformam em gelo até infernos.
Mas lavam apenas corpo são.

E um perdido na suíte o que irá fazer?

Vejo pela janela a chuva.
Não estará muito fria?
Se for lá me resfriaria?
Deixará minha roupa suja?

Apesar dos perigos eu quero saber.

Corro e pulo como criança.
Congelei, mas conheci o frio.
Peguei doença mas de Rio.
Sujei-me mas adorei a dança.

Não me encha, não queria mesmo envelhecer.

Espelho Imperial

.adotas a causa amoR?


*Roma dominava tudo, bruscamente. Além de ser lindíssima em todos os sentidos.
*uma casa? Sim, uma casa(já passei pelo portão?)

Terça-feira, Abril 26, 2005

Única Estação

E Outono chega e depois frio azul Verão,
Segue a Primavera,
Antecedendo Inverno queimando a Razão.
Letargia sincera.

Esses ventos e folhas não me inspiram.
Esses risos e dores não me viram.

Não posso mais gritar e rir sem coração,
Mas também pudera:
Perdi a garganta e a boca em passada estação.
Torpor me venera.

Esses sóis e essas chuvas me demoliram.
E aqui dentro as emoções apenas deliram.

Domingo, Abril 24, 2005

Garimpo e Primavera

Estava findando um doce setembro
Que dos meses é mais ilustre membro.
Só mesmo ao começo de primavera
Para mundo vil ganhar Flor tão bela.
Que de estações remotas eu relembro
Lembras daquela sublime novela?

Que tal Flor é linda já é sabido
Tanto sua cor qual perfume também.
Mesmo longe vem pétala ao ouvido
Seja Serenata o outrora Réquiem.
("happy end" de repen**)

Já encontrei vários lindos diamantes
De altos valores nunca vistos antes.
Mil deles nada valem junto a Ti
Pois tu és um raríssimo Rubi.
Fogo rubro a queimar em instantes
Coração que tão louco nunca vi.

Tal Rubi é precioso e muito frágil
Brilhes ao mundo mas guarda este alguém!
Não te deixareis quebrar, serei ágil
A mais não te cobrarei um vintém!
("Je t'aime" já tem..)

Temo o mundo me roubar teu ardor
Temo o mundo te fazer colibri
Tempo é sábio mas causa muita dor
Tempo acelera pra juntar-me a ti
Tenho então nove Pétalas de amor
Tenho Rubro anima-sem-bisturi
Tens beleza de uma perfeita Flor
Tens raridade de um perfeito Rubi.

Sábado, Abril 23, 2005

Vovozinha e Lobo Mau

...........C............A..............A..........MMM..........AAAA....
........C..C..........A.A........A.A......M.........M.......A........A..
......C.....C.........A....A...A...A....M.............M.....A......A....
....CCCCCC.......A......A......A....M..............M....A.A.A......
..C............C......A...............A.....M..........M......A......A.....
C...............C.....A...............A........MMM..........A........A...

*meu primeiro poema visual =D

Natação claro que no verão


Destituição
destruição
des[virtua]ção
[virtua]l-ação
ver tua ação
ver[gonha]-ação
[ganha] reação
grande danação
gr[ave sa]turação
[avisa] sem noção
à vista locação
antiga ocupa{ção}.

Odeio peixão
sem paixão.
(...)
Nada{ção} .

Bata palmas com uma mão

Loucura
não me cura
nem se cura
nem segura.

Fazer o quê?

Verdade crua.
Antes fosse nua.

Matar por quê?

Maldade tua.

Sexta-feira, Abril 22, 2005

Hai Kais I

Hai Kais são poemas japoneses no seguinte esquema:
5 sílabas poéticas
7 sílabas poéticas
5 sílabas poéticas
Variam o número de sílabas, o importante é somar 17 delas nos 3 versos.



Pelo menos 98% x 1%
Linda borboleta
Borbulha sem observar
Idéia obsoleta.


E nem é de baseado
Tudo são neuroses
Fumaça em sala-de-estar
E aqui ouço cem vozes.


No sentido figurado clichê(ou literal ignorado)
Vagarosamente
Sonho um sonho que termina
Apressadamente.

Recompensa

Pequeno verso sem intensidade.
Já se foram duas linhas insossas.
Agora três sem qualquer densidade.
Nada existe.

Quinta-feira, Abril 21, 2005

Porta e Portão

Este dèjavu
Acho que á vi.
Esta solidão
Faca coração.
De novo morri
De novo em vão.
(ou não)

Chuva corre; gelo não morre; ela dorme.
Novamente...
...memorização.

Está por aqui
Sim, já percebi.
Está confusão
Espero decisão.
Dê nova; já senti
Dê nova emoção.
(ou não)

Chuva embora; gelo não torra; ela chora.
Cruelmente...
...cauterização.

Estou dèjavu
Mas nem percebi.
Estou solidão
Não há decisão.
De novo morri
Dê porta sem vão.
(mas abra o portão)
Chuva escorre; gelo não socorre; ela morre.
Docemente...
...ressucitação.
(porquê depois arrombo a porta e tranco o portão)

Sábado, Abril 16, 2005

Uma imagem...

...vale mais que mil palavras. (e não é verdade?)